terça-feira, 21 de abril de 2026

Cipó Fogo & Tijuca Dub Club - Digital Slaves (2026)...




"Estamos trabalhando pra bilionário brincar de fazer robô". A frase é do Felipe Vazquez, produtor por trás do projeto de música eletrônica Tijuca Dub Club, que se uniu ao dúo de música pesada Cipó Fogo para o primeiro lançamento de ambos projetos em 2026. Daí parte o conceito do EP: Digital Slaves, cuja parte gráfica, também idealizada por Vazquez, é inspirada, e reimagina, as obras do francês Debret (capa) e do alemão Rugendas, pintores europeus que vieram ao Brasil e retrataram a escravidão no país durante o período colonial. Ao substituir os opressores homens brancos, senhores de escravos, nas pinturas dos artistas, por androides antropomórficos de inteligência artificial, é uma denúncia, até descritiva, dos tempos em que vivemos hoje, em que a humanidade, induzida ou deliberadamente, está entregando seus dados, e não apenas isso, seus desejos e sentimentos mais profundos, tudo que nos torna humanos, aos algoritmos das redes sociais e modelos de linguagem (IA) criados com um único objetivo: explorar nossos recursos, nossas vidas, e gerar LUCRO. De acordo com Marcelo Cabral, vocalista do Cipó Fogo, "não somos radicais, ou puristas quanto ao uso de novas tecnologias, e pode até parecer contraditório que utilizamos IA para reimaginar as obras de Debret e Rugendas nos tempos de hoje, mas é justamente parte do conceito abordado: de utilizar IA de forma pontual como ferramenta complementar, e não como oráculo moderno, terapeuta, ou até "relacionamento afetivo", entregando à máquinas movidas por viés de confirmação até tomadas de decisões sobre nossas vidas. Acreditamos que artistas, sobretudo periféricos, independentes, do underground, com poucos recursos disponiveis, podem e devem utilizar essas ferramentas para se expressar, não substituindo o trabalho criativo, mas complementando o que surge de uma ideia original, orgânica, humana". Com duas faixas surpreendentes, Digital Slaves e ACAB, o novo trabalho mostra a força do encontro dos beats e atmosferas da música eletrônica produzida por Vazquez com a distorção das guitarras matadoras de André Corradi e a agressividade das vozes de Cabral, resultando em uma sonoridade original e livre de nomenclaturas genéricas...

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