Kiko Dinucci voltou à guitarra para fazer um disco de amor — e encontrou no ruído, na experimentação e na ruptura uma maneira de falar sobre ele. Em “Medusa” (2026), seu novo álbum, o músico parte de uma relação pouco convencional com o instrumento para construir um trabalho que combina guitarras atmosféricas, acordes abertos, texturas, dissonâncias e canções. É um movimento diferente de “Rastilho” (2020), disco que ampliou a repercussão de sua obra e que tinha no violão acústico, explorado também como instrumento percussivo, uma de suas principais marcas. A ruptura aparece também na forma de compor. Em “Medusa”, Dinucci afirma estar escrevendo letras de outro jeito e explorando a guitarra a partir de possibilidades que ainda não havia percorrido. O instrumento deixa de ser apenas uma ferramenta harmônica para assumir diferentes funções: pode soar como percussão, baixo ou simplesmente como uma massa sonora. É uma concepção que passa por referências como Sonic Youth, Glenn Branca, Kevin Shields (My Bloody Valentine) e Jimi Hendrix e por uma ideia que o músico considera fundamental: mais do que o domínio técnico, interessa a capacidade de inventar. “Eu gosto muito da ideia de transformar a guitarra em outras coisas”, explica...
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