É de Vilhena,
Jhon Douglas, lá de longe, lugar paredes-meias com a “vida pura”, “calma” e de “água fresca”, como tão bem recordou quando “Neuziana” quis dar o nó logo ao disco de estreia. Desse território de pé descalço, banho de rio e muita manga, nasceram tantas das suas travessias, aventuras e enredos; mas também os fantasmas e as assombrações, herdadas do tempo em que os cowboys anunciaram que a “Amazónia já era”, em que uma cidade dos mortos ficou soterrada por debaixo do alcatrão onde cresceu. Ficaram para trás (ou talvez não) esses fantasmas e esse mato imenso e nascente, quando Jhon, equilibrado num skate, se fez teletransportar pelo mundo e pela imaginação. Em Vilhena ficava uma infância repleta de mistérios, sonhos, perigos e descobertas; mais tarde vieram os “vícios da modernidade para a cabeça”, quando a Europa se fez casa, depois das passagens por muitos lugares do Brasil, do Paraguai ou do México. Mas acima de tudo, foram ficando as cores, as telas, as pichagens, as colagens, os sons e as máscaras com que se foi metamorfoseando e que, qual lagarto florescente, foi deixando como rasto, pelos muitos lugares por onde passou...
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