Aparentemente, a grande polêmica das últimas semanas foi uma discussão meio tétrica sobre se rock é mais legal em português ou em inglês. Eu realmente não quero entrar nesse mérito, porque acho essa discussão meio boba. Já fui mais radical — defendia com unhas e dentes que toda música produzida no Brasil deveria ser em pe-tê-bê-érre. Mas, como muita coisa na vida, a gente vai envelhecendo, amadurecendo e ficando menos extremo. Faz teu corre, faz tua arte aí. Pode ser até em húngaro. Mas faz direito. Uma coisa que acontece com frequência é que não é nem que a gente prefira o rock em inglês — é que, muitas vezes, as letras em português acabam sendo bem ruins. Eu vivo esbarrando em sons com instrumental minimamente decente, mas com letras execráveis: rima pobre atrás de rima pobre, verso mal medido, fonema mastigado e maltratado. Sem querer entrar na polêmica, às vezes o problema é tentar enfiar padrões de uma língua estrangeira dentro do idioma de Camões. Música — assim como a poesia — precisa de ritmo. Na linguística, a gente chama isso de prosódia: a forma como cada língua organiza seus sons, seus acentos, sua musicalidade (olha o aluno de Letras aí, gente). Quando se ignora isso, a vaca vai, proverbialmente, pro brejo. E o ritmo do português não é o mesmo do inglês — e nunca vai ser. Vale pro português, pro inglês, pro javanês, pro tupi. E aí, no meio desse burburinho todo — que envolveu até a MC Taya citando números e pesquisas — me aparece Nos Tempos do Egoritmo, álbum de estreia da Barba Rala. De cara, um trocadilho tão besta, mas tão besta, que nem dá vontade de falar mal... Continue Lendo no Under Floripa
terça-feira, 26 de maio de 2026
Barba Rala - Nos Tempos do Egoritmo (2026)...
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Aparentemente, a grande polêmica das últimas semanas foi uma discussão meio tétrica sobre se rock é mais legal em português ou em inglês. Eu realmente não quero entrar nesse mérito, porque acho essa discussão meio boba. Já fui mais radical — defendia com unhas e dentes que toda música produzida no Brasil deveria ser em pe-tê-bê-érre. Mas, como muita coisa na vida, a gente vai envelhecendo, amadurecendo e ficando menos extremo. Faz teu corre, faz tua arte aí. Pode ser até em húngaro. Mas faz direito. Uma coisa que acontece com frequência é que não é nem que a gente prefira o rock em inglês — é que, muitas vezes, as letras em português acabam sendo bem ruins. Eu vivo esbarrando em sons com instrumental minimamente decente, mas com letras execráveis: rima pobre atrás de rima pobre, verso mal medido, fonema mastigado e maltratado. Sem querer entrar na polêmica, às vezes o problema é tentar enfiar padrões de uma língua estrangeira dentro do idioma de Camões. Música — assim como a poesia — precisa de ritmo. Na linguística, a gente chama isso de prosódia: a forma como cada língua organiza seus sons, seus acentos, sua musicalidade (olha o aluno de Letras aí, gente). Quando se ignora isso, a vaca vai, proverbialmente, pro brejo. E o ritmo do português não é o mesmo do inglês — e nunca vai ser. Vale pro português, pro inglês, pro javanês, pro tupi. E aí, no meio desse burburinho todo — que envolveu até a MC Taya citando números e pesquisas — me aparece Nos Tempos do Egoritmo, álbum de estreia da Barba Rala. De cara, um trocadilho tão besta, mas tão besta, que nem dá vontade de falar mal... Continue Lendo no Under Floripa
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