quarta-feira, 12 de junho de 2019

Milkshakes - Wanderlust (2019)...




Milkshakes é uma banda alagoana que deve fazer muito barulho nos próximos meses com a sua sonoridade cheia de camadas.Quatro anos após o EP Technicolor, o grupo está de volta agora com um disco cheio chamado Wanderlust, e definitivamente a vontade incontrolável de viajar por aí fica estampada em cada uma das oito canções do álbum.Aqui, o grupo usa e abusa do dream pop, da psicodelia e de influências claras de nomes que vão de Mac DeMarco ao Tame Impala passando pelo DIIV, e as cores, presentes em tantas das faixas, também dão espaço para momentos mais introspectivos... VIA
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Xaga - Asas de Ouro (2019)...




Nome em ascensão no rap carioca, Xaga abre o coração em seus versos e divide ansiedades, angústias e um olhar afiado sobre a cidade e a busca por seus objetivos. Mirando alto em seus sonhos, ele lança “Asas de Ouro”, seu álbum de estreia.O projeto conta com participação de Sant, Ghetto ZN, Paige e DJ Erik Skratch e está disponível em todas as plataformas de música digital.Nascido Diego Chagas na Baixada Fluminense, ele se interessou pela cultura hip hop em 2007, quando começou a testar batidas e rimas. Com o passar dos anos e um contato mais intenso com o rap nacional, Xaga tomou para si uma missão: propagar verdade, inspirar jovens e se tornar relevante no cenário musical através das suas ideias, voz e princípios. E passou a estudar para desenvolver um estilo de lírica e de produção musical. O resultado disso é “Asas de Ouro”... VIA
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terça-feira, 11 de junho de 2019

Mariana de Moraes - Brisa do Mar (2019)...




Brisa do Mar é o título do quinto álbum de Mariana de Moraes. Com lançamento pela Dubas em 31 de maio, a obra apresenta a exímia musicalidade e o domínio vocal da artista, neta do poeta e compositor Vinicius de Moraes, em meio a um ilustrado repertório que passeia pelas mais potentes pulsões da música brasileira.No disco, que conta com a produção de João Samuel, canções de Tom Jobim (Inútil Paisagem) a Djavan (Embola Bola), passando - entre outros - por Maysa (Resposta), Gilberto Gil (Preciso Aprender a Só Ser) e a parceria João Donato e Abel Silva na faixa-título encontram seu ponto em comum no talento interpretativo de Mariana. Vinicius aparece duas vezes, em Seule (escrita com Pixinguinha) e Sabe Você (parceria com Carlos Lyra), que ganha participação do renomado conjunto Os Cariocas. Para lapidar a sonoridade de Brisa do Mar, a artista se cercou de músicos excepcionais, como o também idealizador do projeto Robertinho Silva, Leonardo Amuedo, Fernando Merlino e Jefferson Lescowich em todas as bases e arranjos, e participações de José Arimatéa, Julio Merlino, Gabriel Grossi e Bebê Kramer...
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Real Narco Liricista - Oscilações Mentais de um Preto (2019)...




Oscilações mentais de um preto é produzido pelo selo QuilomboLouco Beats e composto por 05 faixas solo de Real Narco Liricista. Lançado em abril/2019 chegou como promessa do Rap Piauiense e desencadeou um sequências de shows para o artista. O álbum é totalmente trabalhado com o Boom Bap, clássico estilo do RAP e traz nas letras referências locais e muito bate cabeça.  Mix/Master feita pelo mestre DJ PTK, a art/capa e identidade visual foi desenvolvida pelo artista/grafiteiro Malcom ​"-|-|-|-"​ , e animação gráfica pelo artista piauiense Ambrósio Pentú. A música ​A corda​ leva o beat do Mudo, também beatmaker piauiense. OMUP é um dos trabalhos mais pessoais do artista, sendo um resumo lírico das próprias vivências, fruto de questionamentos diários, de um morador da periferia de Teresina, na Zona Sul da cidade, onde até um dia sua casa nem existia no mapa...
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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Brvnks - Morri de Raiva (2019)...






No radar de muitas pessoas desde 2016, Brvnks deu mais um salto na sua carreira. A cantora goiana lançou na última sexta (31) o seu primeiro álbum: Morri de Raiva. Apesar do título em português, as 10 músicas que fazem parte do trabalho tem letras em inglês. Certamente, este é um elemento que combina bastante com a sonoridade meio indie e meio power pop que Brvnks vem apresentando desde o EP Lanches (2016). Morri de Raiva é o resultado de um trabalho que vem sendo lapidado há vários anos. Isso fica claro ao ver que algumas canções tiveram letras modificadas para ganhar mais sentido. Bem como alguns títulos originais foram modificados... VIA
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Alice Caymmi - ELECTRA (2019)...




Em recente entrevista, Nana Caymmi disse que sua sobrinha, Alice Caymmi, não deu mel. Vou me permitir a ousadia de discordar frontalmente dela. A jovem cantora da família deu muito certo, como prova o quarto disco da artista: Electra.No álbum, ela canta acompanhada apenas do piano de Itamar Assiere. O reportório de 10 faixas é composto por leituras de novidades e pérolas da MPB. “O que diferencia Electra é a busca profunda e inesperada na obra de antigos compositores”, explica Zé Pedro, diretor artístico do projeto.“Eu vejo como um dos lançamentos mais corajosos da minha carreira. No sentido de eu saber exatamente o que estou fazendo. Parece que o que sempre esteve em mim era o caminho certo o tempo inteiro. O básico, o ancestral, o fundamental”, explica Alice... VIA
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domingo, 9 de junho de 2019

Electric Light Pulp - Ansiedade EP (2019)...



Download: Ansiedade EP (2019).zip (ou vá no bandcamp acima)

É chegada a hora de mais um lançamento do projeto Electric Light Pulp. O novo EP “Ansiedade” é composto por duas faixas instrumentais autorais oriundas da mente inquieta de Tiago Felipin, “Catalepsia projetiva” e “Tormenta no céu“. Gravado e produzido de forma independente, “Ansiedade” é o sexto lançamento do Electric Light Pulp, e que chega para enaltecer o universo onírico que permeia a sonoridade do projeto. A capa também é criação do próprio artista, através de colagem feita a partir de imagens de revistas de saúde e bem estar.... VIA
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sábado, 8 de junho de 2019

Vênus In Fuzz - Live In Kaos (2019)...



Download: Live In Kaos (2019).zip (Ou vá no bandcamp acima)

Conheci a VÊNUS IN FUZZ através do escritor e fanzineiro carioca CARLOS A. Li uma entrevista em seu blog (ele edita os zines físicos Brownie Mofado e o Raspas e Restos). Ouvi as faixas disponíveis na época e me conectei em espírito e ouvidos ao som da banda, que é de João Pessoa. É uma das bandas que mais tenho vontade de dividir o palco e que mais admiro, tanto o discurso, quanto o som. Me faz celebrar a conexão intelectual que nos liga (nós, os insatisfeitos) por todo esse país. Tenho certeza que irão gostar, assim como eu.Segue entrevista com Igor, guitarrista e baixista da Vênus in Fuzz... VIA
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sexta-feira, 7 de junho de 2019

ManoWill - Nuvem Negra (2019)...




O trabalho vem no melhor underground com estilo mais sujo misturado com um Boom Bap clássico, como já era esperado a lírica do ManoWill continua impecável e suas escolhas para as participações foram pontuais principalmente nas músicas “Deposito de Frustração” com o Bahiano, Odissh, e Janumsabe com Matéria Prima e niLL.O nome da mixtape é um ponto se citar, pois, a terminologia do nome Nuvem Negra sempre é associado a coisas ruins e o artista traz uma nova visão para esse termo dizendo que não traz má sorte pelo contrário uma Nuvem Negra não tem sina e não significa que é uma coisa ruim, pois, tudo relacionado a negros é sempre relacionado a coisas ruins e ta na hora de quebrar isso.Também pode ser uma referência a clássica canção “Nuvem Negra” de Gal Costa será?... VIA
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Koogu - Telesterion (2019)...





Koogu é o nome do projeto musical desenvolvido pelos músicos Henrique Geladeira, Gustavo Rocha e Daniel Garça. Dessa junção resulta uma das experiências sonoras mais criativas oriunda da cidade de Natal-RN. Nos palcos desde 2014 o trio se divide entre guitarra, baixo, bateria, sintetizadores e pads eletrônicos, que são utilizados como ferramenta para criar um som denso e sem rótulos, partindo de camadas de loops de guitarra em direção a um universo próprio de colagens, timbres e tempos tortos. Quatro anos após o EP  À Espera da Shuva o Koogu nos traz mais um ótimo lançamento, intitulado Telesterion. O álbum é composto por cinco músicas, será lançado em formato digital pelo selo Rizomarte Records e K7 pelo selo Catamaran, conta com a participação da cantora Luísa Nascim (Luísa e os Alquimistas) e do percussionista Filipe Castro.A música do Koogu é sinestésica, mexe intencionalmente com as sensações e convida a uma experiência de se deixar levar por cada composição. É como se as músicas dessem vida a paisagens movediças onde o ouvinte acompanha o passo a passo e as variações de cada criação. Talvez por isso o nome das cinco músicas preste homenagem a cinco espécies de cogumelos mágicos que brotam em diferentes regiões da Terra. Viagem bem alicerçada e certeira em suas desconstruções ocasionais, os três músicos sabem como fazer dos sons um veículo para as jornadas profundas e celebram em suas músicas o mistério que nasce da natureza emaranhada dos micélios.Uma busca rápida na internet e você descobrirá que Telesterion também é o nome de um antigo templo dedicado a rituais psicodélicos que louvavam o ciclo da vida, a passagem do tempo e as transformações pelas quais todos iremos passar. Mas não precisa se enfurnar em nenhum novo templo para escutar o Telesterion do Koogu. A capa, desenvolvida pelo baixista e artista visual Gustavo Rocha, expressa bem a metáfora que aproxima cada um de nós do antigo mistério. A psicodelia mesclada, disforme e multicolorida se desmancha em tons vibrantes enquanto o templo escuro talhado em pedra ocupa o centro e convida a um mergulho mais profundo. Aí está o Telesterion, irrefletido no interior de cada um de nós e muito além da psicodelia. Nesse choque entre a plasticidade moderna e a densidade do arcaico, o som do Koogu se apresenta como  matéria invisível pronta a lhe fazer viajar, sempre celebrando as idas e vindas do movimento cósmico que rege a existência...
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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Larissa Luz - Trovão (2019)...




“Quando a ignorância irá acabar?” perguntou Audre Lorde no discurso principal da Conferência Nacional de Gays e Lésbicas do Terceiro Mundo, em 13 de outubro de 1979. Quase quarenta anos se passaram desde então e a resposta ainda parece não mostrar sua face à luz do dia.Vivemos num mundo em que as marcas do racismo, machismo, LGBTIfobia e intolerância religiosa reforçam discursos de ódio, elegem presidentes, encharcam redes sociais e questionam os pequenos avanços alcançados pelo Brasil nas últimas décadas. A arte ainda se mostra primeiro, como cantava Falcão (O Rappa), e continua luminosa ao apontar, em breves palavras, verdades extensamente problematizadas pelo pensamento social e filosófico nacional.“A cada passo pra frente a casa grande treme” é uma dessas frases que relatam o quadro social do Brasil da segunda década do século XXI pronunciadas por Larissa Luz em seu novo disco. Por situações como as indicadas nessa frase, a temática de nossa estrutura escravocrata continua aberta a inúmeras possibilidades de reflexão e crítica social.Explorada no cinema em obras como “Que horas ela volta?” (Anna Muylaert), na música, em discos como “Galanga livre” (Rincón Sapiência), e em centenas de obras literárias e acadêmicas, a temática de nossas heranças conservadoras e escravocratas indicam as complexas relações raciais de um país cuja elite econômica ainda não aceitou o fim da escravidão... VIA
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Malice - Respiro (2019)...




A mais nova banda de Brasília se chama Malice e une um ótimo Stoner Rock com uma pegada garage, riffs marcantes, vocais femininos e letras em português. O nome vem de uma mistura de “Alice no País das Maravilhas” com a “malícia” existente nas mais intimas situações do cotidiano humano.A banda formada por Bia Nobre (vocal), Vinícius Eré (baixo), Emerson Barros (bateria) e Gabriel Lira (Guitarra) lançou na terça-feira (28) o EP “Respiro”, primeiro trabalho da banda que chega cheio de atitude e expectativas.“Respiro é fruto de um trabalho intenso que iniciei com o pessoal do M&V Recording Studio. Fizemos tudo com muito carinho e profissionalismo e ficamos muito satisfeitos com o resultado!” – afirma Bia Nobre... VIA
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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Marcelo Perdido - 2♥ (2019)...



Download: 2♥ (2019).zip

Pouco menos de um ano após o lançamento do torto Brasa (2018), terceiro álbum de estúdio em carreira solo, Marcelo Perdido está de volta com um novo trabalho repleto de composições inéditas. Em 2♥ (2019), o cantor e compositor paulistano busca inspiração na obra de Cazuza para investir na construção de um registro marcado pela força dos sentimentos. São versos marcados pela redescoberta do amor, instantes de profunda desilusão sentimental e versos existencialistas que invadem a mente de qualquer jovem adulto.Para a realização do trabalho, Perdido contou com a colaboração da cantora Luna França, dona da voz que ecoa em momentos estratégicos da obra, a produção de Gabriel Serapicos (Serapicos / Compositor Fantasma) e mixagem de Habacuque Lima (Ludov). O resultado dessa maior interferência criativa está na produção de um registro conceitualmente bem-resolvido e amplo, talvez o melhor na carreira do músico paulistano, efeito direto da colorida sobreposição de ideias, ruídos eletrônicos e versos agridoces... VIA
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Coruja Bc1 - Psicodelic (2019)...




"O hip hop salvou minha vida". O velho mantra que estampa camisetas ao longo desse Brasil é a mais pura realidade de Coruja BC1. Cria de Munhoz Jr., quebrada de Osasco, o rapper paulista viu a violência desde moleque e cresceu em um contexto que estar vivo já é motivo de comemoração. Aos 24 anos e escrevendo rimas desde os oito, ele investe em um outro caminho para seus versos em Psicodelic, seu mais novo álbum criado a partir da frase que sua babalorixá disse: "devemos tomar cuidado com a nossa mente. Ela arma, engatilha e atira". Este também é o primeiro lançamento de Coruja desde que saiu da Laboratório Fantasma... VIA
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terça-feira, 4 de junho de 2019

China - Manual de Sobrevivência para Dias Mortos (2019)...









O músico China lança seu quarto álbum solo, “Manual de Sobrevivência para Dias Mortos”. Cinco anos depois de “Telemática” (2014) ele vem com essa “pedrada”, que tanto nas letras como no som traduz o Brasil de hoje. A origem punk e o caráter inventivo, marcas desse artista desde quando lançou sua banda Sheik Tosado, no final dos anos 90, são a essência da sonoridade de “MSDM”, assim como o tempero pernambucano que sempre permeou seu trabalho. “Vejo o compositor como um cronista da realidade, e a realidade em que vivemos anda bem dura de ser digerida. É impossível observar o que acontece no Brasil e no mundo e não ter um olhar crítico sobre as mazelas e retrocessos. Acredito que a arte ajuda a propagar ideias e pensamentos, e espero que as pessoas reflitam um pouco sobre o que é dito nas canções desse disco” – comentou China.A trinca que se formou para as gravações do disco é composta por China — que além de cantar, se aventura na programação dos beats, toca baixo, órgão e seleciona samples –, pelo produtor do álbum Yuri Queiroga — que toca violão, guitarra, baixo, micromoog, além das programações e samples — e pelo percussionista Lucas do Prazeres. É dessa interação que nasce a espinha dorsal das canções, uma leitura do Brasil a partir dos sons... VIA
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Oblomov - Oblomov EP (2019)...




Oblomov, o personagem que dá título ao romance do russo Ivan Goncharov, é um gênio da preguiça, famoso pela proeza de passar as primeiras 150 páginas do livro que lhe cabe sem conseguir sair da cama, arrumando desculpa por cima de desculpa para não cumprir com as obrigações mínimas de estar vivo. Já a dupla João Victor (guitarra, voz) e José Eduardo (guitarra, baixo, bateria, percussão), que empresta o nome do personagem para batizar seu projeto musical, corre na paralela: preguiçosos sim, imóveis jamais. Ambos na casa dos 18 anos, os meliantes acabam de colocar na praça um EP com cinco faixas gravadas em casa utilizando um celular e outros métodos caseiros, costurando influências de música brasileira, indie jovem e poesia... VIA
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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Tay - Quem Vai Me Parar (2019)...




 Entrar em contato com novas expressões e novos artistas é uma das razões de ser de quem se dedica a ouvir música e transforma-la em texto. Mas do que eleger o que é melhor, quem mais avançou e ou definir diretamente ou indiretamente os caminhos do mercado, se trata de descobrir o novo. Nos parece que fazer eco às sensações que sentimos ao vermos/ouvirmos novas e novos artistas é o principal desse trabalho.Mulheres tem muita dificuldade para entrar nesse circuito por diversos fatores, mas talvez o principal deles seja o machismo, que não nos permite ouvir as coisas com ouvidos livres. E por conta do caráter estrutural do patriarcado, as relações de produção, divulgação e visibilidade é sempre um imenso obstáculo.Exatamente por conta desse sistema de coisas, o status quo da música que se relaciona necessariamente com o todo o social, foi o Don L quem me fez ir atrás da TAY. Não porque um homem indicava a música dessa excelente artista, mas por conta da visibilidade que sua indicação tem, e fez com que a dica nos assaltasse. E não foi outra nossa surpresa quando entramos em contato com a música dessa cantora, compositora e artista visual... VIA
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Iconili - Quintais (2019)...


Com o lançamento de Piacó (2015), os integrantes do coletivo mineiro Iconili alcançaram um novo estágio criativo. Em um intervalo de mais de 70 minutos de duração, composições marcadas pelo uso de metais, texturas e camadas detalhistas pareciam expressar o completo amadurecimento da banda – hoje formada pelos músicos André Orandi (teclados e saxofone alto), Chaya Vazquez (percussão), Gustavo Cunha (guitarra e sintetizadores), Henrique Staino (saxofone tenor e soprano), Josi Lopes (voz), João Machala (trombone), Lucas Freitas (saxofone barítono e clarone), Rafa Nunes (percussão), Fernando Monteiro (bateria), Rafael Mandacaru (guitarra e teremim) e Willian Rosa (baixo).Quatro anos após a entrega do registro, o grupo mineiro não apenas resgata parte das experiências detalhadas durante a produção de Piacó, como convida o ouvinte a se perder em um universo marcado pela constante transformação. Em Quintais (2019, YB Music), mais recente trabalho de estúdio da Iconili, cada composição aponta para uma nova direção conceitual, indicativo da completa versatilidade do álbum que ainda conta com a interferência do produtor Leonardo Marques (Moons, Transmissor)... VIA
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domingo, 2 de junho de 2019

HC Entrevista: Devotos, o Alto José do Pinho e o Agora Tá Valendo

Devotos das antigas: Tirada do Livro "Devotos: 20 anos", do Hugo Montarroyos (editora CEPE)
No final deste mês de junho, este humilde bloguinho completa 10 anos de história. Aproveitando o mês festivo, vamos começar a soltar algumas entrevistas com artistas que curtimos e acompanhamos ao longo de nossa história. Acreditamos que seria legal tentar colocar algumas entrevistas por aqui, mas não sabemos qual será a temporalidade delas.

A primeira que irá sair é com trio punk pernambucano Devotos. Eu tentei emplacar na vice entrevistas com a banda duas vezes nos últimos anos. A primeira foi em 2017, falando sobre os 20 anos de lançamento do Agora Tá Valendo, primeiro disco da banda, lançado pela PLUG/BMG em 1997 (Pra Download aqui). A segunda tentativa foi no final de 2018, falando sobre os 30 anos da banda e o lançamento do O Fim que nunca acaba, sétimo álbum de inéditas da banda (Pra download aqui). Um disco urgente, com sonoridade diferente do punk tradicional do trio e que desvenda o Brasil periférico atual como poucos. Mas a gente fala mais dele na próxima parte do papo. Eu pensei em soltar as duas juntas, mas me lembrei do grande pensador Fafá Zanatto e sua tag favorita: Too long, dont read (muito longo, não li).

Sendo assim, iremos começar pelo primeiro papo, que foi mais rápido e que põe em evidência um dos trabalhos mais legais do punk pernambucano, nordestino e porque não nacional. A Devotos (na época do Ódio) acabou se misturando com o Movimento Mangue ascendeu num momento em que Recife era pura musicalidade, atraindo interesse de pessoas do mundo todo. Foi assim que o trio do Alto José do Pinho conseguiu lançar seu primeiro álbum e direto por uma major (A PLUG da BMG).

Esse papo não saiu na época porque tanto eu, quanto o editor do site onde ele ira sair, achávamos importante falar não apenas com os integrantes da banda, mas com pessoas envolvidas no processo. Eu até tenho contato com Paulo André, produtor da banda na época e consegui o contato do Lúcio Maia (que produziu o álbum), mas com o Maurício Valadares o papo era meio engessado, apenas por mail e pelo visto estava "sem tempo irmão". E ele era peça fundamental para entender ainda mais o álbum, já que parte da polêmica era que sonoramente o disco não parecia com a Devotos ao vivo, como bem disse Hugo Montarroyos no livro "Devotos: 20 anos". Eu poderia ter insistido um pouco mais, mas a questão é que demorou muito e a matéria esfriou.

A questão é que ambos os papos tem falas muito bacanas do Cello, Neilton e do Cannibal.  E seria bobeira deixar isso morrer no meu bloco de notas. Fora que trata-se de um dos discos mais importantes da minha vida (Tá até na lista que fiz pro Flogase). Passei parte da minha adolescência morando bem perto do Alto José do Pinho e como todo jovem, era imprudente o bastante para andar de bicicleta subindo e descendo as ladeiras por toda extensão da Avenida Norte. Bom, segue o papo.


 


Como é ter razão há 20 anos? É frustrante ver que alguns dos problemas tratados no Agora tá valendo ainda existem?

Cannibal: eu acho que o que aconteceu há 20 anos e o que acontece agora é reflexo da própria sociedade. A gente está vivendo num período onde todo mundo tá reivindicando uma nova política, mas eu acho também que as pessoas tem que se cobrar. Não adianta reivindicar nova política, é também você saber o que você quer fazer, saber votar, saber correr atrás e reivindicar as suas coisas. É que às vezes as pessoas trocam seus votos por coisas imediatistas, um emprego, alguma coisa e não pensa no social.

Isso é uma coisa meio cultural do Brasil. Isso sempre aconteceu e vai continuar acontecendo. Então qualquer coisa que você fale ou faça nos anos 80, vai se refletir muito no agora, por que tudo que aconteceu, continua acontecendo. A gente tenta mudar as coisas, mas esquece de mudar nós mesmo e o nosso jeito de viver. Eu acho que a gente pensa muito na gente individualmente, no momento em que a gente começar a pensar socialmente em tudo, eu acho que a coisa começa a melhorar.

Eu acho o “Agora Ta Valendo” um disco sobre o Alto José do Pinho, mais até do que sobre periferia, Recife ou vocês três. Queria que vocês falassem como é retratar um espaço tão pessoal de vocês e ver esse trabalho ser tão bem recebido.

Cannibal: A ideia daquele disco é muito Alto José do Pinho porque, até os 16, 17 anos, que foi quando a gente começou a fazer música, a nossa vida era o Alto José do Pinho, eu não conhecia nada. Eu particularmente não saia do Alto José do Pinho pra quase nada, saia só pra jogar pelada (futebol amador). A minha vida social era no Alto José do Pinho e eu escrevi o que eu vivia e via, eu não escrevia nada sobre o que eu via na TV ou no jornal, não tinha como escrever sobre isso porque não era meu.
Era um cara passando na rua, sentado na calçada sem nenhum centavo tomando cachaça e eu escrevendo a letra naquele momento. E é por isso que a identificação é tão forte com a comunidade. Por causa da nossa vivência dentro da comunidade. A gente pensava muito dentro do Alto José do Pinho. O mundo estava acontecendo, a gente estava no mundo, mas a nossa preocupação maior era com a barreira que estava caindo lá no Alto, era com a falta de segurança no Alto e isso refletia em outras comunidades. E ai que eu entro na história de ter dado certo, principalmente pra quem é de periferia. Porque você falar do Alto era meio que falar dos problemas que aconteciam em todas as periferias. Por isso que aquele disco o “Agora Tá Valendo” é muito Alto José do Pinho. A gente só começou a sair do Alto depois que a Devotos começou a acontecer e ai a gente teve outra visão de mundo, por assim dizer. Mas esse disco é a cara do Alto.

O que eu posso dizer que mudou de lá pra cá, falando 20 anos depois. Eu acho que o que mudou de lá pra cá é ver a galera com uma autoestima mais forte, de não ter vergonha de ser morador da comunidade. E que pode mudar o seu quadro social com a cultura, com seu trabalho. E isso a gente tem na vivência no Alto José do Pinho, porque depois da gente surgiram vários outras manifestações culturais como o Afoxé, o “Amigos do Alto José do Pinho”, e várias outras pessoas que fizeram e fazem até hoje. Então, a gente viu que conseguiu dar um empurrão, se nós conseguimos mostrar o Alto para o mundo e sair dele com isso, vocês também conseguem. Essa afirmação a gente vê hoje na comunidade. Os problemas continuam acontecendo, a falta de segurança, saneamento, etc. Mas aquela coisa de você dizer: Eu moro no Alto José do Pinho, eu sou morador do Alto, isso a gente conseguiu mudar. Não só como banda, mas como um coletivo de pessoas que queriam mudar positivamente seu lugar. Hoje as pessoas falam que moram aqui, que conhecem o Adilson do Matalanamão, o Zé Brown do Faces do Subúrbio. A referência agora é a música e a cultura. Antigamente antes das bandas, as referências eram o assaltante de banco, o criminoso que descia pra assaltar na Avenida Norte, era o cara que saia nos jornais policiais. Então hoje isso mudou muito.

Cello: Eu acho que o disco sintetiza a autoafirmação do lugar onde você vive e como você vive. Eu acho que o disco resume bem isso, essa identidade com uma estima, ela leva muito essa mensagem de estima.

Vocês pesaram o risco de se expor e ter essa autoafirmação do Alto, da periferia, de seus ideais? Já que o disco saiu por um selo grande, pra todo o Brasil, apresentando vocês.

Cello: Eu acho que a gente nunca pensou nisso não. Com relação à autoafirmação de ser músico, essa a gente já tinha sim. Cada um na sua vertente de rock, mas todos já estavam nessa querer fazer música. Você já vinha desafiando tanta gente na escola, comunidade, casa, você já vem desafiando tanta coisa que quando você acha dois ou três caras pra se juntar com ideias parecidas e tirar um som, você se joga.

Neilton: Tem outra história nisso tudo que é que na época quando a gente começou a tocar, nós nunca quisemos ser exemplo e nem servir de direcionamento pra ninguém. A gente só faz o que a gente gosta. Mas isso reverberou no Alto de um jeito que a gente não tinha noção, porque as pessoas começaram a perguntar como aprender a tocar, onde comprava instrumento, até então isso não tinha força por lá. E isso foi muito importante pra gente entender o que estava acontecendo. E nós sempre nos misturávamos muito, então o pessoal viu uma banda punk tocando junto com um afoxé, com o maracatu, caboclinho e sem querer, passando isso para uma nova geração, sabe? E isso foi muito importante e nos da muito orgulho.

Como foi o contato pra chegar na BMG e lançar o disco, contem ai.

Neilton: A Devotos é do movimento punk, né? E tem muita influencia daquela cena de São Paulo, do Inocentes, Olho Seco, Ratos, Garotos Podres, essa galera. E por consequência, teve influencia até nas letras. Depois de um tempo é que a gente começou a ver que não era só aquilo que fazia parte do ideal de trabalho do movimento punk e nem do futuro como a gente imaginava. A gente começou a perceber isso quando um amigo nosso, que sempre ia pros shows da gente na época, Carlos Freitas, fez uma observação bem positiva, ele falou que a gente poderia falar de qualquer coisa e não só falar que a bomba iria explodir. Que era o tema básico do que era dito pelo punk nos anos 80, por causa da bomba nuclear, e tinha mais a ser dito que isso.

E eu falo isso porque tem tudo a ver com a nossa contratação e o lançamento pela BMG, porque mais uma vez, comungamos sem querer com o que estava acontecendo nos anos 90. Por coincidência com o movimento mangue, o aparecimento de Paulo André como produtor criando o Abril Pro Rock, entre outras coisas que estavam rolando na cidade. E eu acho que a única banda punk a comungar com essa galera fomos nós, sem deixar de ser punk e sem mudar o que a gente falava, sem negar nossa origem ou nossas ideias. E tem muita gente que nessa época nos colocou no velho chavão de traidores do movimento, porque de certa forma a gente estava participando do circuito, do boom do movimento musical que colocou Recife muito em evidência.

O lance do contrato, a gente tinha recebido até outras propostas de outras gravadoras até grande e tal, mas terminamos assinando com o selo PLUG da BMG por causa de um cara foda, que era o Mauricio Valadares, que percebeu o quanto o que a gente falava era verdadeiro, sabe? E o Mauricio tem uma história massa no rock brasileiro porque ele viveu toda aquela cena rock dos anos 80 no Rio, ai era um cara que tinha propriedade pra dizer se valia a pena investir numa banda como a Devotos em uma gravadora grande. A principio fomos muito relutantes, por conta da própria filosofia do punk, por mais que a gente não seguisse nada, a gente ficou meio relutante. Mas a gente pensou primeiro na banda e em como levar o nosso som o mais longe possível e naquela época era através de uma grande gravadora.

O Mauricio veio pro Abril Pro Rock em 1996 e viu a gente ao vivo e chegou no Paulo e disse: eu quero essa banda. E Paulo fez a ponte pra gente assinar com a BMG e acabou sendo o produtor da Devotos na época, vendendo os nossos shows após o lançamento do disco. A gente já tinha contato com ele na época de Chico (Science), nós fomos a banda que abriu o primeiro show da turnê do Afrociberdelia em São Paulo em 1996, e isso ajudou porque estávamos num lugar onde tocavam a nata da música no Brasil que era o Tom Brasil. Eu lembro que os seguranças do espaço ficaram muito felizes porque os cara tinham banda punk e viram uma banda punk tocando na Tom Brasil. Tem várias histórias que nos levam ao contrato com a BMG.

Vocês tiveram que mudar alguma coisa no som de vocês pra gravar o álbum? Por que ele é bem diferente da demo anterior e de como soava ao vivo.

Neilton: Tiveram vários fatores para que isso acontecesse. Sonoramente a gente não gosta muito do disco. Assim que chegou a mostra da mala, a gente ouviu e não entendeu. E confesso a você que eu não entendo até hoje. Por que tem coisa que a gente gravou e não saiu por exemplo. E tem outra coisa que a gente ficou pensando depois, não digo que ficamos arrependidos, mas pensamos muito depois é se a gente escolheu a pessoa certa pra produzir o disco por exemplo. Porque era o primeiro disco produzido pelo Lúcio Maia, principalmente um disco pesado. Por mais que a gente saiba que ele é muito bom na história de timbrar as coisas, pode ser que ele tenha sido podado. A gente não sabe, ficamos meio de inocente no final das gravações, porque quando Paulo chegou com a referência do disco na master pra gente ouvir, a gente ficou achando que ainda era o cru e ainda faltaria fazer alguma coisa e falamos pro Paulo. Mas e ai, quando a gente vai finalizar esse disco? E o que a gente gravou, tá aonde? E ele disse: não esse é o disco já.

E a gente nunca negou que a gente não gosta do som do disco, a gente sabe a importância que ele tem nas letras e nas músicas, mas sonoramente a gente não gosta do disco. Tanto que os discos depois foram bem mais pesados e rápidos, por exemplo. A questão da velocidade das músicas porque na época a galera queira que as músicas soassem não mais lentas, mas que fossem mais longas ao vivo e ai a gente teve que rearranjar algumas faixas, deixar elas mais longas pra gravação, diferente do que a gente fazia nos shows na época. Mas o som como saiu, a gente não tem muita culpa não (RISOS).

Como é manter a mesma formação numa banda há mais de 20 anos, se mantendo relevante?

Cello: Eu acho que a gente gosta de músicas bem diferentes e existe um respeito de todos. E essa mistureba faz bem pra gente, deixa o som interessante. Eu continuo ouvindo as mesmas coisas eu ouvia na época desse disco. O Neilton gosta das coisas estranhas dele e o Cannibal talvez seja quem mais se expandiu nos estilos por assim dizer.

Neilton: Eu acho que a gente nunca pensou muito no tempo não, só foi fazendo mesmo.



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sábado, 1 de junho de 2019

God Pussy - Bra​$​il (2019)...



Download: Bra​$​il (2019).zip (ou vá no bandcamp acima)

Ultimamente, a sociedade brasileira tem se alimentado de tudo quanto é tipo de embate polêmico. O debate é uma ferramenta construtiva pra qualquer sociedade, mas no caso da nossa há uma série questão de entendimento e profundidade. Ninguém debate, ninguém se entende, todo mundo só grita nas redes sociais, nas ruas, nos encontros de família, todos falam e ninguém ouve. Estamos aparentemente num beco sem saída. Ou como já definiram: o beco tem saída, mas estão todos cegos de ódio a ponto de não ver a saída escancarada.“Todos cegos de ódio” é modo de dizer. Há uma grande parcela odienta, babando a baba elástica e ácida, mas há também gente que tenta ponderar, enxergar o quadro geral, qualificar o debate, buscar o diálogo e o entendimento. E há gente fazendo arte explosiva com a situação. Jhones Silva é um deles, com o seu impiedoso God Pussy. Com o EP “Bra$il”, o carioca foi ágil em mais um embate polêmico que se deu nas redes brasileiras. A clássica banda Dead Kennedys peidou na farofa quando viu a repercussão do cartaz feito pra turnê em nosso país. Cristiano Suarez foi cirúrgico na cena idealizada, com uma família de brancos bem-nascidos, vestindo camisa da CBF, armados e dizendo que adoram o “cheiro de pobres mortos pela manhã”... VIA
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