segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Luedji Luna - Bom Mesmo É Estar Debaixo D'Água (2020)...




Há algo muito clássico na maneira com que Luedji Luna nos entrega Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água quando notamos que é um disco no qual ela canta sobre aquilo que está no seu coração, apoiada por uma banda. Ao mesmo tempo, a obra se mostra bastante contemporânea ao trazer, em igual volume, aquilo que a artista também pensa, além do sentir, principalmente no que diz respeito à sua existência enquanto mulher preta no mundo como o conhecemos. Impressiona de imediato o quão refinado é o som deste seu segundo álbum, que mira em como a música africana tem se desenvolvido na atualidade, em contraponto ao que Luedji propôs em Um Corpo no Mundo (2017) – seu disco de estreia investigava a herança da música vinda da África ao longo do chamado Atlântico Negro. Gravado no Quênia com Kato Change como coprodutor, o novo trabalho bebe do encontro entre os sons do continente e as influências do Jazz. Trabalhada a percussão tão referencial da produção africana, ela explora agora um território contemporâneo e cosmopolita. A própria figura da artista enquanto coprodutora da obra também evoca a contemporaneidade. Ao invés de ocupar apenas o lugar de “diva” que canta suas emoções e encanta com a beleza de sua voz, Luedji se coloca como uma criadora pensante, uma tomadora de decisões que artesanalmente monta o disco com suas escolhas. Isso se percebe nas relações de clímax e anticlímax que algumas faixas trazem, como as repetições em “Chororô”, ou com as elipses no arranjo que acompanha a letra de “Tirania”, ou ainda no piano cheio de classe que contrasta com a sinceridade crua dos versos de “Recado”. Ele ganha o primeiro plano logo após ela cantar “Vou pensar em mim / Sem querеr fugir / Sem querer morrеr / Sem querer matar”... Continue Lendo na Monkeybuzz

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