sexta-feira, 17 de julho de 2020

Negro Léo - Desejo de Lacrar (2020)...




Outubro de 2019: após manifestações contra os cortes de recursos para universidades federais, o então ministro da educação Abraham Weintraub anuncia uma coletiva de imprensa para anunciar o desbloqueio das verbas de custeios de institutos e universidades federais. Weintraub fez uma fala curta, contra a “gente incompetente ou gente de má fé” que “falou que o ensino ia acabar” e encerrou com um meme: colocou o óculos de turn down for what, soltou o microfone no chão e declarou: “Abe is out!” Weintraub postou o vídeo da entrevista em seu perfil no Twitter, explicando: “No fim eu digo: Abe is out. Abe é diminutivo de Abraham nos EUA (pronuncia Eibe). ‘Abe is out’ é um ‘sextei’…Elvis terminava os shows assim”. O ato de Weintraub é a epítome da retórica do lacre, agora institucionalizada. Surgida na comunidade LGBTQ, a gíria “lacrar” instalou-se no campo político — esquerda e direita — como um dispositivo para envaidecer e glorificar a argumentação incontestável, sem brechas. Desejo de Lacrar, novo álbum de Negro Leo lançado pelos selos YBMusic e QTV, faz uma exploração poética e conceitual que utiliza as arenas de batalhas narrativas das redes sociais como lente para compreender o panorama político do Brasil contemporâneo em lato sensu, sem restringir-se à política partidária. Para Leo, o lacre é uma mentalidade, um logos e uma prática discursiva em disputa. “Lacrar é agir de forma insolente e revoltada. Vencer, se não de fato, virtualmente... Leia mais no Volume Morto
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