quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Negro Léo - Niños Heroes (2015)



 
"O cardápio posto: todos nós falhamos nesse mercado de expectativas. Revolver tudo, do buraco fundo até o talo da vida. Rasgar os códigos, flutuar nas bocas, lamber as feridas e forçar a barra. Além da canção, da história, da conveniência, da conivência, do sorriso de comercial, da melodia feliz e boçal, do refrão corta e cola. Mesmo assim, não se convença de imediato que aqui há algo que nos afaste. Ao contrário: o abismo nos namora, nos seduz, nos degola e nos salva. É preciso que se cave. É preciso cavar a si. São vinte e duas músicas cujos arranjos e montagens perfuram feito estilete, em estocadas rápidas e cortes profundos. Quando nos tocamos, já fomos trespassados e só podemos deixar sangrar. Mas o sangue, o fogo, Deus, a morte, o sexo, a língua, o mercado, tudo está aí para ser despedaçado com os dentes da nossa miséria e da nossa opulência. Sambas tortos, freejazz, afronoises, rocks espaciais, ataques sonoros furiosos, improvisações e embates de guitarras, baterias, teclados, pedais, baixos, efeitos, máquinas, ruídos, metais, percussões e a voz. Um passeio pela terra pós-colapso dos sentidos. O que acontece hoje na cidade não é uma tragédia, mas um renascimento. Estamos nos comendo por dentro, nos reinventando como os bebês fantasmas da guerra dormindo. Visões além do alcance, fundando o heroísmo possível, o atletismo raquítico, a saúde fina como punhal. Estamos em cima de uma pirâmide, estamos no palco de um país fascista, estamos dentro de uma bairro imigrante na Europa canina, estamos no seio da vida amorfa de uma bolsa de valores. A música nos pertence. Preparem-se: o nosso coração é uma cloaca!" (Fred Coelho)
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